Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo, no qual a dimensão local e global estão ligadas (Carta da Terra).

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Jan 17

Por vezes parece-me que a maioria das pessoas acha que o lixo “desaparece” por artes mágicas. É colocado no contentor – de lixo indiferenciado ou, caso o cidadão seja mais consciente, nos respectivos ecopontos – e depois evapora-se, como que por magia.

O problema é que a maioria das pessoas não pára para pensar nisso, nunca visitou uma lixeira ou aterro, um centro de triagem, de compostagem ou de incineração.

Já visitei todos estes, bem como centros de reciclagem de plástico e vidro (não me recordo de visitar centros de reciclagem de papel).

Visitar um aterro sanitário é uma experiência única, que nos abre a mente. O que acontece num aterro? Toneladas e toneladas de lixo, recebidas todos os dias, são colocadas em grandes “buracos” (que têm de ser bem isolados para garantir que as águas “lixiviantes”, resultantes da degradação dos resíduos não penetrem no solo, contaminando este e os aquíferos de água). Depois de compactados, os resíduos são tapados com uma camada de areia. Após atingir a capacidade daquela  célula (local onde os resíduos são colocados), esta tem de ser encerrada. Num aterro bem construído, existem drenos para encaminhar as águas contaminadas para tratamento e sistemas de captação dos gases formados (metano e outros) para igual tratamento. Mas tal não acontece nos aterros mais antigos… (vulgo lixeiras).

 

E o que acontece ao lixo lá depositado? Estudos indicam que após 40 anos (ou mais) ainda é possível identificar os resíduos lá colocados. Sejam resíduos orgânicos (uma casca de banana, por exemplo), sejam inorgânicos (roupas, plásticos, etc.).

Daí ser importante que:

  • sejam produzidos menos resíduos
  • seja dado um destino final adequado a cada um deles (compostagem no caso dos resíduos orgânicos, reciclagem no caso do vidro, papel, embalagens)

De modo a que aos aterros vão parar apenas os resíduos que não podem ter outro tipo de destino. E, a bem dizer, será uma quantidade bem menor do que a actual.

E o que podemos todos fazer?

  • Reduzir a produção de lixo: recusar (objectos desnecessários, sacos, brindes, publicidade, etc.), escolher objectos com menos embalagens, dar o que não se necessita, tentar reutilizar objectos para outros fins, evitando comprar outros objectos. No caso da roupa, doar a instituições ou colocar nos contentores de recolha de roupa (polémicas aparte, parece-me melhor colocar ali do que no contentor do lixo indiferenciado);
  • Fazer uma boa triagem dos resíduos, encaminhando o que for reciclável para os ecopontos. Grandes quantidades podem ser entregues nos ecocentros, em alguns municípios pode combinar-se um dia para recolha de monos (electrodomésticos, móveis, etc.).
  • Se possível, fazer compostagem. Há quem faça em casa, vermicompostagem, por exemplo.  Quem tem quintal, não necessita de grandes aparatos, eu coloco os meus resíduos compostáveis num canto do jardim. Para ficar mais bonitinho pode construir-se um compostor. E para facilitar esta tarefa, sugiro a colocação de um pequeno balde com tampa junto à bancada da cozinha, basta ir colocando aqui os materiais compostáveis e quando der jeito levar o balde até ao local da nossa compostagem.

Sugiro o seguinte exercício: num dia “normal” da vossa família, pesem os resíduos produzidos. Desde os recicláveis aos da cozinha, casa de banho, etc..

Já fiz esse exercício, não me recordo de quanto produzia, mas sei que fiquei algo chocada. Hoje em dia produzo bem menos, talvez um saco pequeno na cozinha (semanal) e o saco do wc, muito graças às fraldas (não cheguei a aderir a fraldas reutilizáveis - shame on me).

 

 

publicado por Maria às 12:37

1 comentário:
Já estive num aterro sanitário e confesso que não é agradável. Também já tive oportunidade de passear e fazer desporto em antigos aterros que foram transformados em agradáveis jardins... e isso agradou-me imenso.

Obrigado pelos conselhos, pratico o desperdício controlado e separo tudo... a questão da compostagem, conheço, mas ainda não dei esse passo.

Bom tema e boa "aula". Obrigado.
Robinson Kanes a 16 de Janeiro de 2017 às 15:27

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